domingo, 25 de agosto de 2013

Mais uma na Mooca




Como Historiador que sou e muito me orgulho, sinto algo a mais quando visito bairros como, por exemplo, a Mooca, cheios de histórias, tradicionais, com peculiaridades que exige certa sensibilidade para ser observada. Nesse domingo aconteceu a 8° Corrida Juventus Viva Mooca que a exemplo do ano passado fiz questão de não perder.
O Kit ficou por conta do Sensei Hideaki que os buscou no sábado pela manhã. Por volta das 6h30 saímos de Guarulhos e chegamos na Mooca às 7h, estacionei e rumamos para o clube. Ficamos por ali observando toda a estrutura do clube assistimos alguns minutos do jogo de futebol (rsrsrs) e fomos para a linha de largada.
Houve uma alteração no percurso em relação ao ano passado, dessa vez a largada foi dentro do próprio clube, o que deixou a prova muito mais elegante. A já conhecida altimetria dessa prova me fez ser ainda mais cauteloso e o agravante ficou por conta do Sol que deu o ar da graça de forma intensa.
A altimetria dessa prova judia, é uma das piores, mas isso é, também, desafiador, e eu gosto da ideia de subidas. Desci a Paes de Barros quase que “engrenado”, imprimi um ritmo confortável, mas nem tanto, não quis ser tão lento embora soubesse o que esperava lá na frente. Cheguei ao final dela e como era de se esperar a volta era uma subida de quase de quase 3 km que deu menos trabalho do que se pretendia, a verdade é que eu dosei muito bem força-velocidade.
Já no final da Paes de Barros eu sentia certa fadiga, todavia nada que me fizesse diminuir o pace, por isso segui firma e depois da placa do nono quilômetro ainda tinha gás para um Sprint. Como citei anteriormente o percurso mudou, e dessa vez entravamos pela lateral do clube, mais 100 metros e era só cruzar a linha de chegada.
O tempo foi por volta dos 55’, nada de sub-50, mas também nem o pretendia, há muito que não faço uma prova de 10km e esse tempo não foi nada mal, além do que com todos os sobes e desces da charmosa Mooca estou sim, satisfeito.
Domingo que vem te a segunda etapa do Duathlon, talvez seja essa a última prova antes da Maratona, afinal jajá começam os longões.


Faltam 42 dia para a Maratona. 42? que coincidência...... rsrsrs

sábado, 24 de agosto de 2013

Mais do mesmo?




Pelo título do post já poderia se imaginar que não seja algo bom, mas dessa vez é. Nesse domingo, dia 18 de agosto aconteceu em Jundiaí mais uma etapa do Circuito SESI de Corridas de Rua. E mais uma vez foi perfeito.
Saí de casa por volta das 6 da manhã e fiz uma viagem muito tranquila, ao chegar no local da prova já pude reconhecer algumas camisetas com o logo dos Corredores do Bosque e logo em seguida encontrei o Alcides, fizemos um aquecimento juntos e seguimos para a largada. Ainda deu tempo de encontrar a Val e ver o quanto ela está angustiada para sua estreia em Maratona, dei algumas dicas e tentei tranquiliza-la, sei como é, já passei por isso.
Como de costume fiz a distância de 5km e antes de começar a corria fiz um breve reconhecimento do percurso e reparei que eram duas retas, uma indo outra vindo, teria anexo um trecho dentro da antiga estação ferroviária, mas que não alteraria em nada a altimetria, logo pensei: “ótimo percurso para baixar meu tempo. Será?”. Meu melhor tempo nos 5km foi no mesmo Circuito SESI, só que São José dos Campos, um tempo de 00:23:27, que para ser quebrado seria necessário um esforço extra. Mas para quem passou quase um mês sem treinar e que voltou a menos de duas semanas seria um grande esforço. Mas não custava tentar.
Buzina tocando eu dei meus primeiros trotes, não demorei a imprimir um bom ritmo, já que eram só 5 e que pretendia baixar meu tempo era necessário dar um tiro único de cinco mil. No trecho dentro da estação havia um piso muito irregular, com muitos buracos precisei baixar um pouco o ritmo, pois temi por uma pisada errada e uma lesão. Já na volta ao passar pelo pórtico no sentido contrário o cronômetro marcava pouco mais de 16 minutos, estava no quilômetro 3,5, fiz uma breve conta e percebi que talvez fosse possível, e apesar de já estar quase no limite fui no mesmo ritmo.
Logo fiz a volta e segui em direção ao pórtico, encontrei forças para um Sprint e cruzei a linha de chegada com o batimento na casa dos 90%. Ufa.
Não dei muita bola para o cronômetro, deixei isso para mais tarde. Ainda deu tempo de dar um abração no meu grande amigo Jonas, que estava lá também para prestigiar o evento e para fechar mais uma corrida, corre muito por sinal. E também um abração no meu mestre Alcides, afinal de contas o que esse cara já me ensinou não e encontra em revistas, jornais, livros ou sites, é coisa de quem entende mesmo.

Voltei também com uma viagem muito tranquila e mais tarde fui conferir meu tempo e para meu deleite meu tempo era de 00:21:52. Tempo batido, domingo feliz, semana cheia de treino, natação, tiro, ritmado, musculação, domingo tem Mooca, no outro Duathlon e faltam 45 dias pa a  Maratona de São Paulo... E assim a banda toca. Segue o baile gaitêêêêroooo...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Voltei




E depois de mais de um mês, depois de um mês inteirinho sem participar de corridas oficiais, depois de 5 kg a mais, depois de uma pneumonia... Finalmente voltei a correr. Dessa vez foi no Circuito Popular de Corridas de Ruas da Prefeitura de São Paulo. O evento aconteceu no Parque do Carmo, no fatídico local onde corri a prova mais desorganizada que jamais corri. Inclusive foi lá que lesionei meu joelho, na verdade não tinha boas lembranças daquele lugar, mas fui assim mesmo.
Essa inscrição eu “ganhei” do Sensei Hideaki, embora seja gratuita foi ele que se propôs a ir lá na Zona Leste fazer minha inscrição, infelizmente ele não participou, pois estava na tradicional corrida Centro Histórico, da Coorpore.
O dia amanheceu um pouco frio, por volta dos 14°, mas nada que assustasse muito, estacionei tranquilo bem na porta – sem flanelinhas dessas vez – e fui para o local da largada.
Encontrei o pessoal do Bosque lá no meio, há muito tempo não os via. Conversamos bastante, tiramos algumas fotos e logo a turma se dispersou pois a prova ia começar.
Com os rituais de sempre passei pelo tapete e reiniciei minha vida de corredor. O percurso reveza alguns trechos rústicos, com pedregulhos e outros pavimentados, bom percurso, mas deve-se ficar atentos aos buracos. Mantive um bom passe, digamos um pouco fora da zona de conforto. Logo as subidas começaram a aparecer e como eu gosto da ideia fui passando bastante gente nesse pedaço, logo vieram outras e uma para “aguentar o repuxo” bem no final, entre o final do terceiro quilômetro e início do quarto.

Depois disso veio finalmente a tal descida tenebrosa. Ainda me lembro da fisgada e o estalo que deu meu joelho, e senti até uma certa agonia, mas dessa vez a experiência falou mais alto, mudei a pisada, a inclinação e a postura e reduzi um pouco. Desci “engrenado”, mas veloz. E dessa vez não teve nenhuma alteração, sem novidades, mais uma etapa vencida, ainda deu tempo para um Sprint no finalzinho e lá estava eu cruzando mais uma linha de chegada.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Pseudo-Revolução, mas com corrida.




Na terça-feira, dia 09 de julho aqui em São Paulo além do feriado da “Revolução de 32”, que de revolucionário não teve nada. Aconteceu a etapa Autódromo do Circuito Popular de Corridas de Rua de São Paulo. E eu estive lá. As inscrições foram gratuitas, e pelo site demorou por volta de 2h30 para ser efetuada, de tanta gente que tentava realizar. Mas valeu a pena, pois foi muito bom correr lá.
O único diferencial, que tenho e devo criticar, é que dessa vez o kit deveria ser retirado no dia anterior. Mas eu disser que isso ocorreu porque a empresa que organizou essa etapa foi a Yescom vai surpreender alguém?
Na terça o dia amanheceu frio, mas muito frio mesmo, e após quase 1 hora de carro tive que sair para enfrentar uma fina e cortante garoa. Não foi tanto assim, pois o calor humano de uma corrida é algo de outro mundo.
Logo encontrei todo o pessoal do Bosque e fizemos a maior festa, inclusive fiz a primeira parte da corrida ao lado da simpaticíssima Sandrinha, aquele anjo de mulher que um dia salvou minha corrida em Jundiaí (http://ironmangfbpa.blogspot.com.br/2012/06/todossabem-que-o-coracao-de-um-corredor.html), inclusive alguns dias antes da Maratona ela veio falar comigo e disso que tinha certeza que eu completaria minha meta. Quem não conhece está perdendo, pois é um alma iluminada.
A corrida tinha 4 km para quem dava 1 volta e 8,5 para quem faria duas voltas, como no meu caso. Quando pisei na pista me veio muita coisa na cabeça, eu acompanhei por muito tempo as corridas de Formula1, não só na época do Senna, mas  eu gostava mesmo, confesso que ultimamente não vejo graça alguma nisso, mas foi realmente emocionante correr ali, naquela pista.
Me surpreendi muito com a corrida, principalmente por conta da altimetria, barbaridade, pela TV não parece que aquilo sobe e desce tanto, juro que achava que era uma reta só...  Fala sério.
Corri de forma tranquila e agradável, sem pensar em tempo ou desempenho, o negócio era realmente terminar bem.
Acredito que um ciclo encerrou-se, e de fato é isso mesmo. Precisava terminar essa maratona no primeiro semestre, e foi a todo custo, e foi um alto custo, na fatura veio até pneumonia. Mas agora já chega, inicia-se uma nova etapa, agora mais madura, já sei o que é ser maratonista e respeito muito essa distância, mas não muito, tem de correr risco com segurança, mas tem. Agora estou mais maduro e consciente, sei das limitações e sei como as coisas funcionam. Acredito que tenha atingido um ponto bem alto, onde é preciso parar para recarregar energias e repensar muita coisa, não estou mais tão ansioso por corridas como em outrora, agora corro de forma mais segura, consciente e funcional, a corrida é a aliada e não o grilhão.
Nessas férias estou correndo menos, mas não me sinto mal por isso como no ano passado. Acho que aprendi mais essa com a Maratona, fiquei mais seguro e maduro, mais firme e melhor, agora corro suave e tranquilo, sem ter que provar nada à ninguém, ou melhor, à mim mesmo.

E vem mais novidades por aí...











Mais um na lista do legado.

E a Maratona hein? Aprontou mais  uma essa linda....
Como professor de História, que sou, e amo ser já li realmente muito, mas muito mesmo, mas de tudo que já li uma das frases que mais me marcou e aplicou-se de fato à minha vida foi no último livro que li, inclusive durante minha preparação para a Maratona, foi a frase do Dean Karnazes na qual ele diz: “Cruzar a linha de chegada de uma maratona pela primeira vez é um ato que tem consequência pela vida toda”. E de fato é.
Hoje faz exatamente um mês desde ó dia que completei minha maratona. e pasmem, ainda sinto as dores do parto. Tudo bem que em seguida dessa empreitada eu não fiz tudo o que deveria, não guardei os devidos descansos, trabalhei muito e ainda fiz algumas provas, inclusive uma meia maratona. Deu no que deu...
Não quebrei na maratona, mas durante o processo tive overtraining, ainda sim fui firme. Mas como citei na postagem da maratona, eu respirei o gélido – e maravilhoso – ar do inverno gaúcho durante as mais de 4 horas de corrida, além dos dois dias que ali estive, além disso na semana seguinte corri uma meia maratona, aqui em São Paulo, com uma temperatura ainda menor, mas com o agravante de uma garoa finíssima, sem nenhuma condição de fazer isso. Um hora a conta ia chegar, e chegou...
Além de abrir mão de duas corridas que estava inscrito ainda tive que abortar diversos treinos. Abri mão das corridas por dois motivos, por não aguentar mesmo correr – falta de pique – e por causa do frio. Como disse anteriormente aquele ar gélido – e maravilhoso – de POA me faria pagar um alto preço.
E para outorgar os fatos, no dia 09 de julho fui à Corrida do Autódromo e corri com uma temperatura por volta dos 10 graus com garoa fina contra o peito. O resultado disso tudo? Broncopneumonia.
Essas férias estão sendo diferentes, da mesma no ano anterior, onde estava lesionado e triste, acabo de correr uma maratona, cujo era a maior meta do ano e da vida. Estou nadando, que era também, um antigo desejo e fazendo musculação, mas tudo com muita moderação, sem treino pesado, só coisa leve, e correr? Por enquanto quase nada, faz 7 dias que corri e só volto a fazer isso no domingo, dia 21.
Estou dois dias de molho, sem nenhuma atividade para curar esse pulmão, que tanto preciso e gosto. Amanhã, dia 17 volto aos treinos leves, um pouco de musculação e natação, corrida só domingo, além do que estou com dificuldades para respirar, as vezes me falta o ar. Para dormir tem sido terrível, mas no fundo sinto uma enorme gratidão por tudo isso, isso significa que tenho uma história para contar. E que lindo será quando, daqui alguns anos eu contar que tive até pneumonia na preparação da Maratona de Porto Alegre.
Cosa rica e buena.



Preservar a natureza e, principalmente a saúde.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Te cuida, tu é o próximo.

De tudo que aprendi após todo o processo da minha primeira maratona, uma das maiores lições que carregarei comigo – e será a maior dica que darei ao meu filho – é que não se subestima 42.195 metros. Já vi maratonista experiente e veterano sendo derrotado por esse percurso, portanto todo respeito com ele. Mas é preciso ser audacioso e petulante, também.
Eu sabia que de uma forma ou de outra conseguiria completar a Maratona de Porto Alegre, pois eu treinei, me preparei muito. Ainda me lembro das palavras da minha irmã assim que ela me viu com a medalha: “EU sabia que ia conseguir, porque senti segurança nas suas palavras”. E é bem verdade, eu estava muito preparado, por isso consegui.



Hoje, dia 04 de julho fiz, por fim, um treino regenerativo, rodei 10 km bem na manha, sem tempo. Já penso, é claro, nos próximos 42 km da Maratona de São Paulo, dessa vez com um novo percurso, que será meu próximo alvo.



Outra novidade tri-legal é o início dos meus treinos de natação. De fato alcançaram todas minhas expectativas. Aprendi os movimentos de pernas no nado crawl e costas, mas já deu pra sentir o quanto é bacana, uma pena não ter ido antes. Já penso em algumas provas de natação para realizar, e claro, uma de minhas metas é o IRONMAN, que batiza esse blog.

Para a Maratona de São Paulo não vou mais me meter de cabeça em planilhas e mais planilhas, vou fazer meus sagrados longões e vou mandar bala, uma vez que aqui onde moro existem percursos para treinos recheadíssimos de subidas. Lá vou eu outra vez, corredor gosta realmente de sofrer.



domingo, 30 de junho de 2013

Eu, por fim, nadador!


Que delícia, estou de férias.



Hoje faz exatamente duas semanas que completei minha primeira maratona, e ainda não acredito. Ainda me lembro dos instantes finais cujo nem mesmo eu estava ciente do que estava de fato acontecendo. Além disso, as frases de Dean Karnazes ainda martelam minha cabeça: “Maratonista é algo que você se torna”. “Cruzar a linha de chegada de uma maratona é algo que traz consequências para toda sua vida.”

Obrigado Dean.


Mas me tornei um, e agora preciso saber o que fazer com essas informações. Descubro com o tempo.
Desde que completei a maratona não treinei, queria descansar, e assim o fiz. Agora já está na hora de retomar as rédeas e voltar a treinar forte, existem muitos planos em vista, mas sem paranoias.
A melhor notícia do post é que vou, por fim, colocar em prática um plano muito antigo: fazer natação. Como já disse aqui anteriormente, tenho muita vontade de fazer provas de biathlon e triathlon, além de travessias.



Mas para isso é necessário saber nadar e essa semana começo. Por diversos motivos tive que adiar muitas vezes esse plano, mas agora parece que tudo se encaixou. E estou próximo de me tornar UM NADADOR.



Volto essa semana, de início de férias à musculação, a correr – dessa vez de forma regenerativa, como deveria ter sido e não foi – e a nadar. Que venham as “férias”. A ressaca da maratona já passou, e agora estou começando a entender como funciona a vida após a maratona, existe sim, e é maravilhosa. A sensação de recomeçar após ter atingido uma meta tão grande não poderia ser melhor.

E que venham muitas braçadas, pisadas, muita musculação e muito pedal.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ressaca



Se um dia contar aos meus netinhos que fiz um “regenerativo” de 21km exatamente uma semana depois de correr uma Maratona ela vão me chamar de velho gaga e mentiroso. Mas fiz.
Já havia sido paga muito antes de eu decidir fazer Porto Alegre, por isso não poderia deixar pra lá, acabou sendo quase coincidência. Até pensei em fazer uma distância mais curta, mas não havia disponibilidade, ou era 21 ou nada.
Eu estava de “ressaca”, nada de álcool, claro – não muito – acontece que eu fiquei a semana toda sem mexer um músculo, fui à academia apenas para mostrar a medalha conquistada pela maratona. Fora isso não corri nenhum metro, além , no sábado anterior ocorreu a festinha de aniversário de um aninho do Rodrigo, que não pôde ser no dia 15 devido minha viagem à Porto Alegre, portanto eu não podia em hipótese alguma economizar, nadinha mesmo. Enfiei pé na jaca com bolo de milho, amendoim doce e salgado, quentão e vinho quente moderadamente, torta, pé de moleque e muitas outras guloseimas de festa junina. Ou seja, uma dieta exacerbadamente irregular para uma MEIA MARATONA.
O domingo amanheceu muito frio em São Paulo, por volta dos 17 graus mas o vento deixava a sensação térmica muito menor. Acordei pesado e com sono, uma preguiça desgraçada, não acreditava mesmo ser capaz de correr uma meia maratona.
Assim que deu a largada fui com passos pesadíssimos, mas sempre em frente. Não demorou muito para ter minha primeira decepção, o percurso era de 4 voltas em uma pista de pouco mais de 5km, o que quer dizer que no final daria muito mais de meia maratona. Outra crítica que tenho é que o percurso não estava isolado, tivemos que dividi-lo com dezenas de ciclistas que na verdade achavam que nós estávamos os atrapalhando. Depois veio o fato de ter muito, mas muito mesmo PIPOCA, essa raça desprezível que insiste em aparecer em corrida que não é de sua conta. Para terminar devo ressaltar que o kit era constrangedor, um número de peito entregue às mãos, com uma camiseta amassada em um saco plástico, nenhuma frescurinha, nenhum mimosinho para desviar nossa atenção. E no final... Água quente! Nada de isotônico. Ouvi muitas reclamações de atletas, inclusive um com mais de 65 anos que reclamava que a organização do evento feriu a lei do desconto para idosos. Vergonha.
E mais ainda: essa corrida não foi baratinha, não. O preço estava no nível de corridas consideradas top.
Resumindo: NÃO FAÇO MAIS, NUNCA MAIS!!!
Com muita dificuldade dei três  - CHATÍSSIMAS  - voltas na pista, e na última tive um “ataque” e fiz um pace por volta dos 4:30’. Fechei com 2h02, nada mal para quem correu uma maratona menos de 10 dias atrás.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Eu, maratonista!



Quando completei minha primeira Meia Maratona, achei, francamente que seria o ápice de minha performance como corredor. Até porque era um mero principiante e jamais pensei que seria louco o bastante para encarar 42 km. Ainda pensando nos meus primeiros 21 km escrevi um post (http://ironmangfbpa.blogspot.com.br/2012/04/o-que-separa-homens-de-meninos.html) alegando que essa distância separava homens de meninos. Significava que após esse feito eu era de fato um homem (no mais amplo sentido nietzschiano), mas e após isso, o que me tornaria?
Na viagem de volta, assim que o avião decolou, e enquanto contemplava, mais uma vez a inquestionável e bela cidade de Porto Alegre, pensei: “Existe vida depois da Maratona”?
Escrevo esse texto na quinta-feira, dia 20 de junho de 2013, 4 dias após eu tentar o maior feito de minha história, em meio à manifestações que se espalham por todo o Brasil, que inflamam esse país e me deixa cheio de orgulho de ser brasileiro. É nesse clima de mudanças – que me fez desviar o foco por alguns dias – que faço esse relato, pois acredito que só a luta muda a vida, e foi lutando muito, desde o dia 07 de janeiro que mudei a minha.
E na sexta, dia 14 essa história começou a ganhar além de um desfecho, um clima de drama. Uma das piores partes foi viajar sozinho. Todas as vezes que viajo pra longe vou com minha família, dessa vez não foi possível, e mais, era o dia do aniversário de um ano do Rodrigo, lembrei-me do dia que ele nasceu, era uma tarde de outono, fria, desajeitada, e eu no ônibus da excursão do Colégio voltando pra Guarulhos pensando na Vivi e no bebê. Lembrei da tensão que sucedeu os instantes depois do nascimento e do chorinho estridente de quem acaba de chegar nesse mundo. A Viviane custou a me convencer viajar sem eles, era por uma boa causa, como sempre digo, as vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois a frente.
Muita coisa marcou essa preparação, mas destaco uma música da banda Titãs que descreve bem o modelo de vida que a Viviane e eu escolhemos pra nós, inclusive é isso que ensinaremos ao nosso filho:

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...
Tudo bem que a música faz uma menção póstuma, mas não é esse o meu – o nosso – caso, mas a proposta é amar mais, desejar mais, viver melhor, observar as pequenas e preciosas coisas da vida. Obrigado Viviane por fazer de mim uma pessoa melhor.
Dormi pouco, e muito mal na sexta, era muita informação na minha cabeça, acordei por volta de 4:30 da manhã, tomei um mate e parti rumo à POA. Já no saguão do aeroporto pude observar ao menos meia dúzia de corredores aguardando o voo. Com um pequeno atraso lá fomos nós. Antes de entrar na aeronave ainda dei uma última olhada pra trás e me despedi “de casa” com um aperto muito grande no peito.
Para apimentar um pouco mais o clima quando liguei a TV do avião estava passando um episódio do Pocoyo, um desenho animado cujo Rodrigo é muito fã. Milhares de coisas se passaram pela minha cabeça, mas já havia ido muito longe, e não havia alternativa senão seguir.



O voo foi muito tranquilo e quando o avião descia em POA pude contemplar a onipotente – Só que jamais maior que o Monumental – Arena do Grêmio, está bonita, mas não me sinto em casa com ela. Desembarquei em Porto Alegre com um clima próximo do 16°, nada mal para uma maratona, pelo menos foi o que pensei, mas lá na frente isso teria um alto custo.
No aeroporto encontrei mais alguns corredores e fomos buscar o kit com o transporte que o evento – aprenda Yescom – disponibilizou. Kit retirado mais uma vez utilizei o micro-ônibus cedido pela organização que me levou até a porta do hotel – mire-se Yescom.


Percurso que seria vencido por mim


Entrada do Jockey, onde termina a maratona


Depois de tudo acertado foi um momento de olhar com mais calma para Porto Alegre, respirei bem fundo aquele ar quase provinciano de uma metrópole que cresceu mas não perdeu sua essência gaúcha. Fui até o charmosíssimo Mercadão, comprei erva mate, subi no mezanino e fiquei por muito tempo comtemplando aquele lugar que me parece tão íntimo, tão meu. Minha querida Porto Alegre.



Reservei um pedaço do dia para visitar o grande amigo Joé, e após fazer uma visita muito especial aos grandes afilhados Sandra e Leandro, bem como a mais nova gauchinha, a Júlia. Foi muito bom, sobretudo pelo clima de descontração, pois por alguns instantes tínhamos tanto do que rir e conversar que me esqueci do que vinha pela frente. Inclusive um belo jantar a base de macarronada, oferecido pela Sandra para reestabelecer minhas reservas de carboidratos, de volta ao hotel arrumei as malas e separei tudo para o dia seguinte, tudo devidamente na sequencia: tênis, gel, meias, camiseta, número de peito etc. Até que não custei para pegar no sono, estava de fato muito cansado. Até tentei fazer umas contas, mas... Contas? Ah sério mesmo? Sim, precisava me distrair com algo, mas não passou mesmo de uma ideia idiota, peguei rápido no sono e só me dei conta disso quando às 4h45 o celular tocou, em seguida a Viviane me ligou e logo após o telefone do hotel, fui bombardeado por todos os lados, era hora de ir.
Me vesti e assim que desci já encontrei outros corredores no saguão do hotel falando adivinham sobre o que? Tinha gente de todo o Brasil, Pará, Florianópolis, Curitiba, Bahia, Santos e muitos gaúchos vindos do interior. Peguei uma carona com um grupo e fomos nós rumo à largada. Estava por volta de 11 graus quando cheguei lá, mas logo me desfiz do casaco e fui me aclimatando. Faltando pouco mais de 20 minutos para a largada eu sentei em uma pedra na beira do Guaíba e por ali fiquei por algum tempo, deixei a mente ir embora, muita coisa passou pela minha cabeça, muita. Talvez não caiba aqui, mas, sobretudo era minha família, meu filho e aquele chão que eu pisava. Um curta de aproximadamente 8 meses de planejamento e 6 de treinos, mas definitivamente não havia tempo para mais nada, todo “ensaio” já terminara, toda margem de erro também, a brincadeira havia ficado séria, era hora de encarar o que muitos se quer pensaram em fazer por se tratar de algo “impossível”, chegara a hora de colocar, ou não, meu nome na lista dos MARATONISTAS.
Alonguei, aqueci, alonguei de novo e fui rumo à imortalidade, editar mais uma vez essa história que começou 8 meses atrás e que por muitas vezes esteve ameaçada.
Antes de qualquer cerimonia foi dada a largada. Muita euforia, muita gente feliz, sorrindo, zerando cronômetros, apertando as mãos do colega que estava ao lado, tapinhas nas costas, pulinhos, breves alongamentos que se fazia muito mais pelo nervosismo do que pela sua funcionalidade, e com a trilha sonora “Carruagem de Fogo” passei pelo tapete. Comecei a dar os primeiros passos sem me dar conta do que realmente estava acontecendo, isso eu só saberia bem mais tarde, era uma peleja muito brava, muito dolorida, mas eu tinha que seguir. E estava apenas começando.
Fui observando todos que estavam por ali, ao passar pela placa cujo dois dígitos marcavam 41 olhei para um cara do meu lado e disse: “Tem muito chão até chegarmos aqui”. Ele riu mais de nervoso do eu por simpatia, algo me dizia que eu certamente alcançaria aquela placa. 



Eu dividi essa maratona em três partes: a primeira ia do zero ao 25° quilômetro, distância que é “moleza”, depois viria a pior parte, do 25° ao 35°. Os próximos 10 km seriam a pior parte, uma vez que existem diversos aspectos contrários, muito vai-e-vem e curvas no percurso, as dores depois do 30° quilômetro, a ansiedade de terminar logo a prova e certa monotonia, monotonia é a palavra perfeita para descrever essa parte da prova. Um ir e vir eterno, sem fim, chato que demoraria quase uma hora até eu chegar finalmente de volta à Orla do Guaíba, mas que certamente seria a peça chave. Se eu vencesse esses 10 quilômetros essa maratona seria minha, era uma “prova dentro da prova”.
A última parte é sem dúvidas a mais animadora. Bom já é o 35° quilômetro, daqui por diante ainda que eu tivesse que rastejar eu chegaria, além do mais, já sai do “labirinto”, mesmo consumido por dores e cansaço é a parte que você ressurge, é a parte que você volta a se animar, pois além de ter passado a pior parte só faltam 7 quilômetros. Isso é a teoria, a prática é bem outra.
Para quem conhece Porto Alegre sabe que a orla do Guaíba forma um grande leque, ou seja, para quem está enxergando a torre do Gasômetro tem a impressão de que ela está bem perto, quando na verdade é preciso andar um grande raio para alcança-la. Um tempo depois passei pela primeira vez em frente à ela, e sabia que mais três vezes se fariam necessárias. Entrei na parte do Cais e logo a primeira esquina foi dobrada, estava indo em direção ao Centro de POA, passei por um gaiteiro que ponteava um tango, o aplaudi e ele retribuiu a gentileza abrindo levemente o fole. Passei pela lateral do Mercadão e rumei o sentido bairro. Tango, no meio de uma maratona? Coisas que só se vê no Sul.
Começou logo ali meu primeiro drama, cãibra, no quilômetro 12, isso mesmo, logo no décimo segundo quilômetro me deu cãibra. Entrou ai uma série de técnicas que aprendi ao longo desses meses de treino, cãibra no quilômetro 12 é coisa de amador, saber lidar com isso é coisa de gente bem treinada, mudei um pouco a mecânica e segui (Obrigado Alcides, por ter me ensinado o “pulo do gato”).
No quilômetro 15 a Maratona chegou à parte chata, bairro, ruas desertas, apenas corredores, e gente passando apressada com sacolas de padaria, certamente achando que nós corredores estávamos apenas atravancando o caminho. Ainda estava na parte “fácil” da corrida, os primeiros 25 quilômetros não deveriam ser de muitas novidades, de fato não foram nos treinos, mas na hora da corrida apareceram várias. Ao passar pela placa de 18 veio uma das piores partes, a longa Avenida Ipiranga, são 2,5 quilômetros de ida e outros 2,5 na volta, um tempo chato de corrida, você percebe ao ir que terá um entediante caminho para trilhar no retorno, e aquele negócio não acabava mais. Um monte de gente já chegando ao final dela e eu apenas iniciando, mas enfim, para chegar no 42 teria que passar pelo 23.
Quando passei pela placa de 21 perguntei o tempo para um corredor, 2h01, um pouco abaixo do que havia pensado, imaginei passar meia maratona na casa de 2h10 ou 2h15, cheguei a cogitar um Sprint Negativo, mas não era hora de inventar moda, o importante mesmo seria terminar bem.
Alguns sinais me alegraram diante de toda dificuldade, em uma janela de apartamento tinha um pano branco pendurado escrito “Já foi metade”, em outro um pouco mais à frente estava escrito “Os moradores de Porto Alegre saúdam todos os corredores da 30° Maratona Internacional”. No final da Ipiranga um grupo de velhinhos com térmicas e cuias nas mãos aplaudiam todos que passavam, acenei e agradeci a força e uma senhorinha disse: “Ai que lindinho, força meu filho, você consegue”. Vou falar a verdade, meus olhos se encheram de lágrimas.
Já tinha ido metade e a hora mais amarga da peleja ainda estava por vir. Ao passar pela Azenha, depois da placa 25 olhei para meu lado esquerdo e lá estava ele, o “Velho Casarão” já quase tapera, palco de grandes glórias e emoções, recinto de momentos maravilhosos vividos ao lado de alguém que amo muito e que por diversos motivos hoje não estava presente. Mais uma vez meus olhos lacrimejaram, não havia a menor possibilidade de evitar as lágrimas, e para ser franco eu também não queria evitar, passei por muita coisa antes de pisar aquele chão sagrado, era de fato o momento de expelir emoções. Por um instante sai de mim e me remeti ao longínquo julho de 2009, o Tcheco e Máxi Lopez comemorando com a Geral e o Olímpico balançando, cantando ensandecido “Eu sou borracho sim, senhor”. No meu coração eu sei, foi a última vez que o vi em pé, sua implosão será no próximo outubro. Foi a última vez que o olhei antes de “fecharem o caixão”. Me despedi dele com um punho erguido pedindo forças, talvez essa corrida fosse também em sua homenagem, não era a toa que o maior desafio de minha vida estava sendo travado ali, em Porto Alegre. Em seguida pensei: “já se foi a primeira parte, acabo de passar pelo vigésimo quinto, é hora da peleja brava“.
As emoções começaram a se misturar, a cabeça parecia não aguentar, desliguei o MP3 e passei a monitorar minhas passadas com mais calma, a cãibra de quando em quando dava uma fisgada que me subia um frio na espinha, “a lá puxa” que susto, que dor. 
Quando entrei na Avenida Praia de Belas por volta do 27° a maratona deu suas caras, uma velha e conhecida dor na virilha, fruto de um longão de 36 que fiz começou a me assolar. A segunda parte da Maratona estava apenas no quilômetro 2 e precisava ser forte, dores eu aguento, mas o quanto?
A única dor que eu não suportaria é se acontecesse algo com meu filho, a dor da maratona eu devo aguentar. Passei muito tempo longe dele para treinar, e quero que ele tenha orgulho de mim por isso.
Depois dos 35 a maratona mostra sua cara, é a hora que ela se revela, é a hora de pagar o preço exigido, é a hora que começa a doer. Mas eu estava ainda no 28°. Algo peculiar me chamou atenção, os Staffs colocavam os copos de água sobre mesas separadas, isso mesmo com papeis escritos à mão separava Gelada de Natural. Que coisa incrível, onde é que se foi visto isso? Morra de inveja Yescom.



Passei finalmente pela trigésima placa, a dor estava batendo forte agora. Pois é, isso se chama MARATONA. Acho que atingi aquela parte da corrida que alguns juram estar anestesiado, passei a não entender mais nada, se quer porque ainda continuava a colocar um pé na frente do outro de maneira tão frenética, desajeitada, desengonçada e sei lá mais o que. Avistei uma longa avenida cujo no seu final apresentava-se a parede lateral do Mercadão, me animou ver isso, mas logo o desânimo bateu. O que vi pode ser facilmente descrito como uma cena de guerra. Gente pelo chão gritando de dor. Como bons amadores que somos formamos involuntariamente uma espécie de “pelotão do fundão”, corremos juntos por tanto tempo que acabamos reconhecendo todos os rostos, uma hora eu passava alguns, outra hora alguns me passavam, mas estávamos sempre por perto, inclusive um corredor que trajava uma meião azul apenas na perna direita. Ele parava toda hora para alongar. Alguns sentavam no chão e se entregavam... GAME OVER. “Não posso mais continuar” alguns diziam. Quando alguém via uma ambulância pedia socorro.
Meu psicológico foi lá no topo. A bem da verdade eu não conseguia mais correr, e ao ver tanta gente desistindo eu sentia sim vontade de parar. As forças exógenas se fazem necessárias nessa hora, pensei na minha família, pensei no meu filho que estava tão longe de mim. Um tempo depois meu telefone tocou e a vozinha do meu filho acordando foi a melhor coisa que eu poderia ouvir naquela hora. A Viviane me disse muita coisa que agora não me lembro mais, certamente foi um divisor de águas. Parei de correr no quilômetro 34 e terminei a conversa muito emocionado, já se passavam das 3 horas de prova, e havia pelo menos mais 1 hora. Continuei andando porque não conseguia mais correr. Na placa de número 35 eu sentei no chão.
Aconteceu aqui uma das histórias mais estranhas dessa corrida, uma senhorinha veio na minha direção e me ofereceu um Anador. “Como assim?”, pensei. Ela disse que esperava pelo seu filho, que a orientou a ficar exatamente ali, na 35° placa. “Meu filho disse que é aqui que começa a doer muito, e estou vendo que você está com muitas dores”. Me deu o comprimido e um copo de água. Agradeci muito, muito mesmo, chorando, apertei a mão dela. Torci muito para que o filho dela não tenha sido um daqueles que haviam ficado pelo caminho e percebi que precisava continuar.
Levantei e alonguei bem, mas muito bem mesmo, até quase estourar, isso funcionava nos treinos e havia de funcionar ali. Está vendo como 6 meses de treinos te deixa calejado?
A segunda parte do desafio já estava vencida, agora certamente essa última parte seria mais fácil, como de fato foi. Passei pela última vez pela torre do Gasômetro e peguei o rumo da Avenida Beira Rio. Placebo ou não as dores acalmaram, o que vi depois disso foi que o maior desafio de minha vida nunca esteve tão próximo, nunca havia sido tão “tocado” como naquele momento. Os quilômetros finais foram sendo vencidos um a um, minhas pernas doíam, mas ainda aguentavam. Lembrei do Clebão, treinador e amigo, que me fez puxar tanto peso que me deixou forte quanto um titã, meu nervos haviam se transformado em um emaranhada de aço.

Clebão, amigão, treinador e incentivador.


Muita gente com dificuldade no final, mas iam seguindo. Um casal cuja mulher não mais suportava pisar no chão seguia em frente. Um corredor que conheci no saguão do hotel estava na minha frente, coloquei a mão no ombro dele e percebi que corria com muita dificuldade, nessa hora percebi que eu ainda estava bem, digamos que entre os retardatários eu era um dos que estava melhor. Avistei outra vez o Gigante Colorado, lindo, me dizendo que agora já passava do trigésimo nono quilômetro. A maior distância que havia percorrido tinha sido 36 e eu estava acima de tudo que já havia experimentado.
Foi a hora de maior certeza dessa empreitada, ali eu já sabia que essa eu não perdia mais. Mais algumas curvas e avistei o edifício Iberê Camargo. Passei aplaca de número 41 e lembrei que horas antes eu estava tomado de incertezas quanto ao meu retorno até ali. Comecei a chorar incondicionalmente. Haviam muitas pessoas recepcionando os corredores que chegavam, muitos uruguaios e argentinos estavam lá devido à proximidade com as fronteiras, e com um bom castelhano gritavam “Siga, siga, siga”. Fiz o que eles me mandaram e segui. Havia muita gente formando um grande funil na chegada, tanto que ao fazer acurva do Barra Shopping e pegar a reta final mal consegui ver a placa de 42. Faltavam apenas 195 metros e o pórtico estava de braços abertos para que eu o ultrapassasse. E assim o fiz.
Qualquer um pode se tornar um maratonista? Acredito que sim, poder todos podem, e querem, mas sair da zona de conforto é que é difícil. Em uma rápida contabilidade os números de um maratonista espantam. Foram 8 meses de planejamento 6 de treino, muita musculação duas vezes por semana, aproximadamente 800 quilômetros percorridos entre tiros, fartlek e longão mas finalmente eu tinha acabado de entrar na lista de MARATONISTAS.



A Maratona vende caro. Muito caro, eu entendi perfeitamente suas mensagens: “Você sairá por ai anunciando seu triunfo, sua glória, tudo bem eu deixo, mas vai doer”. Por diversas vezes ouvi sua voz me amedrontando. Se senti medo? Por suposto que sim. Levante a mão o vivente que não sentiu o drama de encarar 42.195 metros. Levante a mão aquele que achou que foi fácil. Mas aprendi que posso qualquer coisa na minha vida, desde que eu queira muito, desde que me prepare para isso. O dia 16 de junho de 2013 foi um dos dias que mais aprendi na minha vida.

Devo fazer uma breve referência a Yescom Brasil: Obrigado por ter feito de mim um cara obcecado pelos 42.195 metros, hoje SOU MARATONISTA.

Ainda não acredito, de verdade, passei tanto tempo ouvindo tantas pessoas falando de maratona que de fato custo acreditar que bati essa meta. Muitas outras virão, em outubro tem outros 42.195, mas essa será marcada para sempre como a primeira, e tinha que ser lá, tinha que ser em Porto Alegre. Muitos outros desafios aparecerão, sou inquieto, sou teimoso, e vou atrás. Já penso em uma ULTRA, em abril de 2014, já penso em voltar à POA para comemorar um ano da primeira grande conquista, já até pensei em correr ao longo de minha vida uma maratona em cada capital desse país – se é que tem em todas as capitais – mas essa será sempre recordada com carinho, será sempre lembrada como o dia que eu aprendi ser capaz.


Até onde nosso corpo suporta somos seres-humanos. Após isso somos MARATONISTAS. E eu agora sou um!